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Darfur e seus mortos: regime turco-egípcio, guerra de secessão, golpe de estado e genocídio
          Darfur é uma região do extremo oeste do conflituoso território sudanês, cujo nome significa “Terra dos Fur”. Um local marcado por uma terra árida e desértica. Em consequência, a população sempre sofreu com a escassez de água e as terras, na maioria, improdutivas. A população da região é formada por dezenas de tribos de agricultores nômades que buscavam frequentemente uma terra arável.
Em 1884 e 1885, os darfunianos sofreram com uma terrível seca que devastou as áreas cultiváveis e matou muita gente, cerca de 175 mil pessoas. O descontentamento com a política de Sudão e o fracasso dos governantes em mitigar a penosa situação de Darfur suscitou a ira dos darfunianos. Sudão e por muito tempo foi governado pelo regime turco-egípcio e este era caracterizado pela corrupção, incompetência, cobrança de altos impostos e corrupção, além de ter contribuído para a desintegração da população sulista. Após 60 anos de dominação turca, os muitos levantes e revoltas que ganharam força com a liderança e ideologia revolucionária do Mahdi, em 1885, pôs fim a opressão, pelo menos na parte norte do país.
O norte, árabe e muçulmano, beneficiado pelo regime islâmico , mas uma vez gozou de privilégios e atenções especiais, enquanto o sul foi devastado para fornecer escravos para o exército sudanês e garantir s consolidação do estado Mahadista. Depois veio a dominação europeia do Reino Unido, o que durou 60 anos.
Em 1983, eclodiu uma guerra de secessão, deflagradas entre os sulistas. O estopim da guerra foi a imposição estatal da lei islâmica a todo o país. No sul, foi criado o Exército de Libertação do Povo Sudânes, que liderava a oposição armada de resistência ao governo e contava com a adesão de etnias não muçulmanas historicamente inimigas, isto é, os Dinkas e os Nuers.
Em 1989, quando Omar Al Bashir tomou o poder por meio de um golpe de estado ele incentivou ainda mais a violência étnica, já em ação por causa da guerra separatista. Os Darfurnianos, revoltados, com o descaso do governo, organizaram duas forças de combate: O Movimento de Justiça e Igualdade e o Exercito de Libertação Sudanesa, divididos entre as etnias Fur, que contava com o maior apoio popular de Zaghawa, militarmente mais agressiva.
O governo respondeu violentamente as iniciativas do Exército de Libertação Sudanesa, desencadeando uma limpeza étnica da população não árabe. A ideologia de supremacia árabe fomentada ao longo da história do Sudão foi o elemento motriz que propulsionou o massacre ocorrido em Darfur, que muitos estudiosos chamam de genocídio. O governo de Cartum bombardeou a região e por terra lançou mão de uma milícia execrável, os jaweeds, compostos por árabes chadianos e nômades darfurnianos que há muito tempo ressentiam animosidades com os fazendeiros e pastores sedentários da região. Os darfunianos foram quase dizimados. Estima-se em até 450.000 o número de mortos durante o conflito e três milhões de refugiados distribuídos por mais de 130 aglomerações humanas improvisadas, os chamados campos de refugiados. Assassinatos, estupros em massa, sequestro de crianças, saqueamentos e bombardeios de crianças são os expoentes dessa penosa história.
Em 2011, o Sudão do Sul conseguiu se separar do restante do país e os darfunianos tentam reconstruir sua história e seu futuro.


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